Resenha#129 - Diga aos lobos que estou em casa - Carol Rifka Brunt - Novo Conceito


Título: Diga aos lobos que estou em casa
Autor (a): Carol Rifka Brunt
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581633923
Ano: 2014
Páginas: 464


Sinopse: 1987. Só existe uma pessoa no mundo inteiro que compreende June Elbus, de 14 anos. Essa pessoa é o seu tio, o renomado pintor Finn Weiss. Tímida na escola, vivendo uma relação distante com a irmã mais velha, June só se sente “ela mesma” na companhia de Finn; ele é seu padrinho, seu confidente e seu melhor amigo. Quando o tio morre precocemente de uma doença sobre a qual a mãe de June prefere não falar, o mundo da garota desaba. Porém, a morte de Finn traz uma surpresa para a vida de June – alguém que a ajudará a curar a sua dor e a reavaliar o que ela pensa saber sobre Finn, sobre sua família e sobre si mesma. No funeral, June observa um homem desconhecido que não tem coragem de se juntar aos familiares de Finn. Dias depois, ela recebe um pacote pelo correio. Dentro dele há um lindo bule que pertenceu a seu tio e um bilhete de Toby, o homem que apareceu no funeral, pedindo uma oportunidade para encontrá-la. À medida que os dois se aproximam, June descobre que não é a única que tem saudades de Finn. Se ela conseguir confiar realmente no inesperado novo amigo, ele poderá se tornar a pessoa mais importante do mundo para June. "Diga Aos Lobos Que Estou Em Casa" é uma história sensível que fala de amadurecimento, perda do amor e reencontro, um retrato inesquecível sobre a maneira como a compaixão pode nos reconstruir.

O sol continuava escorregando para longe, e imaginei quantas coisas pequenas e boas do mundo poderiam estar se apoiando nos ombros de algo terrível.

“Diga aos lobos que estou em casa” é um livro tocante e lindamente triste, que fala sobre perda, sobre recomeço e sobre perdão. Mas acima de tudo é um livro fala sobre o amor. Enganam-se aqueles que acham que o livro fala sobre o amor “cor-de-rosa” entre um homem e uma mulher, o livro fala sobre uma forma de amor superior, algo sublime, aquele amor que transcende a matéria, aquele tipo de amor que não pede nada em troca, que simplesmente existe

A trama de Diga aos lobos que estou em casa se passa no ano de 1987, nessa época a AIDS ainda era uma doença nova e um tabu. Os poucos recursos e a falta de informação tornavam a estimativa de vida de uma pessoa que possuía o vírus muito baixa. E é para essa doença que June, nossa protagonista, perde seu tio, Finn. 

Finn era um pintor profissional reconhecido, que adorava bules de chá e era gay, além disso, era tio, confidente, melhor amigo e o amor de June. Descobrir que seu tio, a pessoa em quem ela mais confiava estava doente, faz seu mundo desabar. Aqui tenho que fazer uma ressalva, o fato da autora trabalhar brilhantemente na construção da trama e dos personagens, fez com que eu enxergasse essa relação como algo sublime. Acredito que tenha sido na medida certa, nem de mais nem de menos, uma relação de alma e nada incestuosa. June nutria uma espécie de sentimento de posse por seu tio. 

Eu me deixei cair pra trás, de forma que fiquei deitada e estirada na neve, olhando para cima, para os desenhos torcidos que os galhos nus das árvores faziam contra o céu cinza. Depois de a terra se acomodar em volta do meu corpo, tudo ficou imóvel, e, embora tentasse manter meu cérebro na Idade Média, Finn continuava se esgueirando pra dentro da minha cabeça. Desejei que ele tivesse sido enterrado em vez de cremado, porque, assim, eu poderia tirar as luvas e apertar a palma das mãos no solo e saber que ele estava ali em algum lugar. Que, por meio de todas aquelas moléculas de terra congelada, ainda havia uma conexão.

June é uma garota tímida e solitária, que tinha na figura de seu tio um porto seguro, alguém que a fazia se sentir especial, ela realmente sofreu uma grande perda com a morte do tio. Agora terá que descobrir através de Toby um lado desconhecido de Finn. Toby é um estranho que aparece no dia do enterro de seu tio. Mas tarde June vem a descobrir que ele era namorado de Finn, e é considerado por sua família o responsável pela morte de seu tio, uma vez que Toby também tem AIDS. 

June e Toby compartilham a dor da perda de Finn, e o sentimento que surge entre os dois é sincero e delicado. Essa relação baseia-se na possibilidade de encontrarem conforto um no outro e um motivo para seguirem em frente. Sentimos e vivenciamos a evolução e o amadurecimento de June, uma adolescente de 14 anos, no decorrer da história. 

A narrativa é em primeira pessoa sob a perspectiva de June, é repleta de detalhes e sentimentos. O fato de o livro possuir por volta de 460 páginas, com capítulos longos e ainda ser uma leitura densa e um tanto triste, nos dá a impressão que a leitura não rende, o que a princípio pode parecer desanimador. Mas a condução da história nos mostra que vale muito a pena vencer essa barreira e persistir na leitura. 

Uma leitura agradável e tranquila, que cumpre muito bem a sua função de emocionar e fazer com o que o leitor reflita sobre vários aspectos da vida. Se você está procurando uma leitura cadenciada e ao mesmo tempo tocante, eu recomendo Diga aos lobos que estou em casa.

Se minha vida fosse um filme, eu já teria saído do cinema.






18 comentários:

  1. Oi Patty, tudo bem??

    Fazia tempo que eu tinha visto esse livro, acho a capa muito linda, mas não sabia nem do que se tratava. Sabe quando você olha o livro mas não pegou ele pra ver e tal.
    Me surpreendi com a temática, porque não parece mesmo ser um drama muito menos desse tipo, sobre a AIDS e perdas. Parece ser um livro muito bonito!

    Estou tentada a ler ele um dia, vou adicionar na minha lista! Adoro um bom drama, esse tipo de livro nos fazem pensar e geralmente são marcantes. Pena que a narrativa é um pouco lenta mas acho que vou relevar. Adorei a dica e a resenha!

    Beijos!!

    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br/

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  2. Juro que via esse livro e nunca imaginei que ele era assim tão profundo. :O
    Fico imaginando June e sua perda. E como ela vai conseguir deixar alguém entrar em sua vida. Fiquei bem curiosa quando a direção que o livro toma e esse amadurecimento da garota. Parece ser uma leitura que te faz pensar bastante nesses relacionamentos familiares que nem sempre são ótimos. Deve ser uma leitura bem proveitosa.

    Visite: http://paradisebooksbr.blogspot.com.br/

    Beijos.

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  3. Oi Patty

    Adoro livros assim rsrs com confesso que só pela capa ela me enganou pensei que fosse algum livro de fantasia.

    Beijos

    www.livrosechocolatequente.com.br

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  4. Oi, Patty!
    Esse título e a capa transmite outra coisa completamente diferente do real enredo que ele traz.
    Um livro denso que nos faz refletir bastante.
    Ainda não li nada que traga a forma como a AIDS era tratada naquela época. Fiquei curiosa quanto a isso.
    Beijos
    Construindo Estante || Facebook Tem promoção de Halloween lá no blog. Não fique fora dessa!

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  5. Eu tinha lido a resenha desse livro, e não fazia ideia que a história se tratava de um tema tão denso, por que a capa não condiz com a história impactante que o livro tem, ainda me pergunto da onde tiraram essa capa, mas enfim!
    Bjkas
    Dani Casquet- Livros, a Janela da Imaginação

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  6. Este livro me chamou atenção primeiro pelo nome! Como assim??? So lendo pra sabe de fato sobre o nome e tal porque ! A história parece ser perfeita, mas achei um resenha meio negativa em relação que a editora brasileira deixou muito a desejar na tradução com tantos erros de ortografia!

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  7. Oi Patty, tudo bom?
    Morro de vontade de ler esse livro. Acho que esse tipo de amor retratado na história é o mais lindo de se ler e a doença tratada na história é uma coisa tensa, que as pessoas nem gostam muito de comentar. A ideia da autora foi muito boa. Espero poder ler e me emocionar com esse livro um dia.

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  8. Bem... Eu me decepcionei um pouco com a leitura do livro... não foi uma decepção completa, afinal o livro tem muita coisa positiva... mas a historia e a narrativa não me pegou... achei grande maioria dos personagens um tanto chatos e frios... mas talvez isso seja o que a autora queira passar... como é ruim para a psique humana viver num mundo de pessoa chatas e frias... se for.. ela soube fazer com maestria.

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  9. É como dizem, não julguem um livro pela capa, mas quem nunca né?! Lendo sua resenha vi que não tem muito a ver apesar do titulo ótimo!

    Quero ter a oportunidade de conhecer o livro em breve! Beijos Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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  10. Eu sou louca pra ler esse livro desde a primeira vez que o vi. Me interessei muito por ele e o enredo é muito bom . Achei a capa muito interessante e depois ao ler as resenhas dele também minha curiosidade só aumentou.

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  11. Oi Patty!
    Já li algumas resenhas positivas sobre o livro, que me deixaram bem curiosa. fico pensando sobre como deve ter sido difícil para a personagem superar a morte do tio, ainda mais com essa ligação que existia entre eles. Gostei bastante da capa, mas acho que só vou entender o significado da maioria dela lendo...
    Beijos!

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  12. Oii
    Eu queria muito ler esse livro, achei a capa linda e ouvi muitos elogios, mas agora... quero ler ainda mais. Por abordar a Aids e essa época, com um preconceito terrível e poucas informações sobre a doença, fico muito mais curiosa para ler. A trama me lembra um pouco A menina que roubava livros, o que me anima ainda mais, amo demais esse livro! Achei o título bem curioso e quero saber seu exato significado. Bem, já adicionei no Skoob! kkk
    Beijos

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  13. Oi Patty, adorei sua resenha!
    Me interesso muito por esse livro, mas achei que o título não tem nada a ver com a história, certo? Não gosto de livros tristes, mas esse realmente me chama a atenção por tudo, pela capa principalmente e agora lendo sua resenha eu tenho certeza de que quero ler esse livro que parece ser maravilhoso.
    Beijos - lendocomabianca.blogspot.com.br

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  14. Preciso dizer que esse foi um dos melhores livros que li esse ano, a narrativa da autora conseguiu realmente mexer comigo, a forma como vamos descobrindo o significado do título e de cada desenho contido na capa queria saber mais sobre a história, os personagens, foi como ir montando um quebra-cabeças aos poucos, encaixando cuidadosamente cada peça e ao fim poder admirar uma bela imagem, Toby é um personagem fantástico, é muito bacana acompanhar a aproximação dele com June, bem no final quando as coisas começam a acelerar o ritmo e existe uma parte muito bonita de perdão e reencontro fiquei muito feliz de ter podido ler o drama criado pela Carol, realmente gostei muito, demais desse livro, foi escrito para emocionar sem dúvidas, mas também para nos levar a refletir e isso com certeza eu fiz e muito durante e depois da leitura.

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  15. Eu já conhecia o livro mas não sabia do que se tratava,e o nome também nunca me deu uma boa ideia.O livro parece ter um teor dramatico equilibrado e eu gostei ainda mais do fato da história ser diferente daquelas milhares que se passam em 1900 e poucos.

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  16. Gosto muito de livros assim bem emotivos e que nos fazem refletir. Adorei a capa, e com certeza quero ler esse livro logo!

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  17. Adoro livros tristes só fiquei com receio oor a leitura ser densa.. Não leria no momento pois estou um pouco sem tempo de ler livros assim..

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  18. Apesar da premissa do livro ser bem diferente e emotiva, não sei se funcionaria pra mim. Por mais que passe uma reflexão e ''cumpra muito bem a sua função de emocionar'', ainda falta algo a mais para me deixar interessada em lê-lo rs

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