Resenha #412 - Na Escuridão da Mente - Paul Tremblay - Bertrand

Título: Na escuridão da mente
Autor (a): Paul Tremblay
Editora: Bertrand
Ano: 2017|Páginas: 266

- Recebido em parceria com a editora.

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Sinopse: Um dos livros mais assustadores do ano, vencedor do prêmio Bram Stoker Award. A vida dos Barrett é virada do avesso quando Marjorie, de 14 anos, começa a demonstrar sinais de esquizofrenia aguda. Depois que os médicos se mostram incapazes de deter os acessos bizarros e o declínio de sua sanidade, o lar se transforma em um circo de horrores, e a família se vê recorrendo a um padre da região. Acreditando que seja um caso de possessão demoníaca, o padre Wanderly sugere um exorcismo e entra em contato com uma produtora que está ávida para documentar tudo. Com o pai de Marjorie desempregado e as dívidas se acumulando, a família hesitantemente aceita, sem imaginar que A Possessão se tornaria um sucesso imediato. Quinze anos depois, uma autora best-seller entrevista Merry, a irmã mais nova de Marjorie. Ao se recordar dos acontecimentos de sua infância, uma narrativa alucinante de terror psicológico é desencadeada, levantando questões sobre memória e realidade, ciência e religião... e sobre a real natureza do mal.
Demorei um cadinho para ler esse livro, e no começo a me conectar, mas gente. Que livro é esse? Juro que é daqueles que te assusta. A mente do ser humano é algo que sempre me assusta e me interessa profundamente. Quem sabe um dia eu mude minha especialização na área de saúde. Para saúde mental literalmente.


"Tudo está velho, abandonado e, de certa forma, exatamente igual. Porém a poeira, as teias de aranha, o reboco rachado e o papel de parede descascando parecem de mentira. A passagem do tempo é como um adereço para a história aquela que fora contada e recontada tantas vezes que perdera seu significado, mesmo para aqueles de nós que a viveram." 
Vamos falar sobre Na escuridão da mente?

Com essa parte do texto abro minha resenha. No começo é difícil dizer se a coisa toda se trata de uma mente deturpada e perversa, ou de uma doença de verdade ou então algo mais obscuro como a possessão por um demônio ou coisa pior.
"- Você é boa em guardar segredos, Merry?
- Sou melhor que alguns - fiz uma pausa e então continuei -, na maioria das vezes, eles é que me guardam. - Apenas porque soava ao mesmo tempo misterioso e sucinto."
Começamos essa história com Merry umas das filhas, a caçula da família Barrett, contando sua versão da história a uma autora famosa - Rachel Neville, agora adulta e madura, aos vinte três anos Merry conta sobre o que aconteceu quando sua irmã querida começou a demonstrar alterações de comportamento levando toda a família a algo além da ruína, algo que jamais teria como voltar atrás.

Isso tudo na antiga casa onde moraram, isso tudo em meio a lembranças vívidas e assustadora, as vezes confusas, mas que logo cria uma imagem vívida nas nossas mentes. 

Merry era uma menininha bem inocente quando tudo ocorreu, seu comportamento a meu ver era até mais inocente que para a idade que tinha, que era oito anos, porém ela revive conosco os acontecimentos mais marcantes de sua vida e acreditem! Assustadores de verdade. Nesse tempo Marjorie, sua querida irmã mais velha tinha quatorze anos e elas antes de tudo ocorrer eram verdadeiras irmãs e como toda caçula, Merry a amava e se espelhava nela. Juntas elas criavam histórias e se divertiam muito, apesar das idades serem tão distantes em termos de maturidade e naquele momento quando tudo era como deveria ser, as coisas mudaram do nada e Marjorie começou a ficar estranha, com um comportamento bizarro, agressivo, assustador de verdade, como se não fosse mais ela mesma. Além disso seu quarto tinha demonstrações claras de deterioração que não se entendia no momento se vinham da própria Marjorie ou de algo mais obscuro, como disse anteriormente. 
"- Minha Marjorie...
E então faço uma pausa porque não sei como explicar para ela que minha irmã mais velha não envelheceu nada em mais de quinze anos e que nunca houvera um antes de tudo acontecer."
Mas pensem teve momentos de buracos estranhos nas paredes, Marjorie pendurada nelas. E coisas de arrepiar. Além de tantas frases e músicas e histórias que ela contava para Merry que não faziam o menor sentido e eram realmente macabras. Isso tudo foi visto como uma esquizofrenia grave e que acabou com a estrutura da família; na verdade pouca estrutura, já que existiam outros problemas como o desemprego do pai Barrett e a fé inabalável em uma religião que a mãe Barrett parecia não compartilhar do mesmo interesse ou crença. E talvez a situação de Marjorie tenha piorado e muito por essa discordância em sua família, pela falta de perspectiva dos pais, pela situação financeira entre outros, afinal, sempre digo que filhos são como esponjas absorvendo tudo ao redor, principalmente o que se passa dentro da própria casa.

"Não há nada de errado comigo, Merry. Apenas meus ossos que querem romper a minha pele, como as coisas que crescem, e perfuram o mundo."
Teve um momento em especial que acredito que foi o ponto principal onde tudo ficou bem pior, mesmo que Marjorie aterrorizasse Merry com suas histórias e possíveis invasões ao seu quarto, onde inclusive ela disse que apertou o nariz da irmã, como em uma tentativa de dizer: "eu posso te matar, você é só uma coisinha frágil" - mesmo que viessem pedidos de desculpas ou amenidades pós muitos fatos estranhos como esse. Então recapitulando - a meu ver foi quando o pai inseriu na situação o padre Wandrly que tudo de fato mudou, que o mesmo acreditava, ou assim pensamos, que ela estava possuída e que para isso seria necessário um exorcismo.
"- Vou esperar até que durma, porque você nunca acorda quando estou lá. visito o seu quarto todas as noites, Merry. É tão fácil...
- Talvez a próxima vez que eu for, eu enfie uma pinça dentro da sua boca, não, espera, só usarei meus dedos, os apertarei com bastante força, transformarei minha mão em uma garra, prenderei aquela lesma gorda e retorcida entre meus dedos e a arrancarei direto do seu crânio, tão facilmente quanto puxar plantas do solo. Vai doer mais que qualquer coisa que já tenha sentido. Você vai acordar gemendo ao redor da minha mão, engasgando com sangue e literalmente vendo estrelas brancas de dor explodindo na sua cabeça. E terá muito sangue, você nem imagina quanto sangue pode haver."
Entendo de verdade o Sr. Barret, pois ele se justifica dizendo todas as coisas horríveis que sua filha lhe disse no carro, até sobre ele tocar ela de maneira imprópria e etc. Naquele momento do enredo eu o entendi que ao invés de levá-la ao psiquiatra ele escolheu o padre. Afinal ele tinha uma crença e também queria ajudar sua menininha.

"Mesmo sabendo o que sei agora, jamais perdoarei Marjorie pelo que me disse na época, assim como jamais me perdoarei por ter permanecido no solário aguentando tudo. Simplesmente fiquei lá."
Não posso ir a frente lhes contando mais sobre o que realmente aconteceu. Só posso dizer que esse livro é tocante, impactante, assustador e sombrio.
Leiam!



12 comentários:

  1. Oi Karini, infelizmente terror não é muito o meu gênero e assim apesar de achar interessante e ter gostado da resenha, acho que inicialmente esse não seria um livro que leria. Mas acho que essa é uma boa opção pra quem curte o gênero e pra quem quer saber mais sobre a mente humana assim como você ;)

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  2. Nossa, esse livro parece ser mesmo assustador. Eu gosto de livros que tragam esse debate da religião e ciência, entre outras coisas. Não sei explicar o motivo, apenas soa interessante e consegue minha atenção, mesmo que ao contrário da maior parte da minha família eu seja nada religiosa.
    Não sou de ler livros com essa temática mais sombria, puxada para o terror, mas acho que poderia dar uma chance a esse. Ele não é um livro grande e mesmo que a suspeita de possessões demoníacas seja algo até recorrente em histórias do tipo, não sendo exatamente uma novidade, ainda consegue soar interessante. Principalmente quando tudo é visto pelos olhos de uma criança de 8 anos, que nunca sonharia em ver sua irmã passando por tudo isso e levando toda a família junto.
    Adorei a resenha.
    Abraços

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  3. Karini!
    Infelizmente achavam que quem tinha esquizofrenia, tinha um pacto com o demônio, coisa totalmente errada.
    Que pena que o ritmo do livro é mais lento e ele nem é tão assustador, tornando o livro mais um suspense psicológico que terror, entretanto acredito que, pelo final insperado e por gostar muito dos livros que trazem doenças psicológicas, vale a pena conferir a leitura.
    Desejo um mês repleto de realizações e um ótimo final de semana!
    “A vida guarda a sabedoria do equilíbrio e nada acontece sem uma razão justa.” (Zíbia Gasparetto)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE AGOSTO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  4. Eita, só de ler a sinopse a gente ja fica com medo ne? Eu comecei a gostar dessa gênero com A Caixa de Pássaros, porque esse livros deixam a gente ávida pela leitura e querendo saber muito mais do que vai acontecer.
    Coitada dessa menina, uma doença assim não deve ser fácil pra família conseguir seguir adiante. Me lembrei de cenas de filmes de exorcismos, esse livro parece mesmo assustador.

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  5. Pelas descrições da sua resenha o livro não me pareceu tão assustador como você disse, mas meio bizarro.
    Li poucos livros de terror psicológico e inclusive só me lembro do título de um, Pretty girl 13. Bem leve e bom de ler, me deixou super presa na história. Não sei ao certo porque nunca mais procurei ler nada parecido já que gostei muito do gênero.
    Esse não me atraiu muito pela sua resenha (não é crítica, é só que as vezes o ponto de vista de uma pessoa me faz ficar interessada por algo e o ponto de vista de outros não, só kkk), aí fui procurar outras no skoob: o livro ainda assim não me atraiu. Não curto muito essa divisão de pontos de vista em livro nenhum e pelo que entendi a narração muda do presente pro passado, ou seja, um indicativo que não gostarei do ritmo do livro.. ainda mais sendo narrado por uma criança de 8 anos. Não será dessa vez que voltarei a ler um terror psicológico.
    bjs

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  6. Olá, o livro abusa do terror psicológico e foca também nos dramas internos dos personagens, que por sua vez parecem ser muito bem construídos. Espero ler a obra em breve. Beijos.

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  7. Simplesmente não tenho coragem de ler esse livro, só os quotes jaa me assustaram, não tenho estômago pra isso, história parece ser ótima, mas assim como vs disse é assustador e sombrio e prefiro não arriscar ja que assim como vs no inicio ds história, acho que eu n iria conseguir me conectar com o livro por medo, e por ser muito cruel o jeito que Marjorie falava com Merry, gente eu n aguento, é um livro muito cabuloso, e a cada resenha que leio só aumenta mais ainda o meu medo, apesar do livro ser muito interessante por ser pelo ponto de vista de Merry, nao sei se arriscaria a leitura.

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  8. Desde que soube que esta estória, abordava a esquizofrenia, de uma forma assustadora, de forma aterrorizante, um terror psicológico, fiquei bastante curiosa, já que teve um tempo que este transtorno psicológico era visto desta forma, e vejo que o autor conseguiu desenvolver de maneira plena esta outra visão. Esta será a primeira vez que me interesso por uma obra deste gênero, e por isto espero não me decepcionar.

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  9. Pelo que vi, o livro tem mais uma pegada de "terror psicológico", né?
    Esquizofrenia é um assunto e tanto...
    Não sei se teria coragem de ler para ser sincera! Hihihi

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  10. Sou aquele tipo de leitora que tenta ler de tudo um pouco sabe? Realmente este é um livro que nós dá medo só pela capa...sinopse e sua resenha só deixa claro o quanto é " escura" a historia do livro. Mas creio que seja um livro de arrepiar e depois a gente ávido pela leitura. Comprei recentemente Caixa de Pássaros e estou bem curiosa para ler este também. Incrível resenha!

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  11. Ótima resenha, amei.
    Estou, no mínimo, curiosa, para fazer a leitura desse livro. Gosto muito de enredos com suspense psicológico.

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  12. Amo livros que mechem com o psicologico. Com certeza, eu leria.

    http://www.ollyspoiler.blogspot.com

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