Resenha #438 - Esqueça o Amanhã - Pintip Dunn - Galera Record

Título: Esqueça o Amanhã
Autor (a): Pintip Dunn
Editora: Galera Record
Ano: 2017 / Páginas: 384

- Recebido em parceria com a editora.

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Sinopse: Em uma sociedade onde jovens recebem uma visão de seu futuro quando completam 17 anos, todos têm uma carreira a qual dedicar seus esforços. Um campeão de natação, um renomado cientista, um chef de sucesso... ou, no caso de Callie, uma assassina. Em sua visão, a garota se vê matando a própria irmã. Antes que ela possa entender o que aconteceu, Callie é presa – e a única pessoa capaz de ajudá-la é Logan, uma paixonite de infância com quem não fala há cinco anos. Agora, Callie precisa descobrir uma forma de proteger sua irmã da pior das ameaças: ela mesma.

Quem me conhece sabe que eu sou a louca da distopia, sempre quando aparece algo novo eu quero ler. Gosto de imaginar como seria viver em uma ordem social diferente da qual estamos habituados. Mundos apocalípticos, futuristas e a superação da sociedade me fascinam. Então fiquei bem animada com a premissa de Esqueça o Amanhã, onde o grande inimigo é o seu futuro. Acreditei até pela capa que a autora iria explorar o lado mais sombrio que descobrir o futuro poderia impor a sociedade, mas fiquei bastante frustrada ao perceber que o romance entre os personagens ofuscou muito o desenvolvimento da trama.



Em Éden City os jovens ao completarem dezessete anos recebem uma memória do seu futuro, e com essa informação podem direcionar os seus esforços para atingir todo seu potencial. Exemplo, se alguém recebe a memória que será um grande nadador no futuro, seus esforços serão direcionados para chegar a esse fim. Como a sociedade é toda regida por essas memórias, se você quer ser um médico e recebe uma memória que será um nadador, você será um nadador, independente da sua vontade. No caso de nossa protagonista, Callie, a memória recebida não poderia ser pior, ela descobre que no futuro será a assassina da irmã caçula.

O que para Callie é algo completamente improvável, já que ela ama a irmã de seis anos e passou a vida protegendo seu segredo. A sociedade não vê com bons olhos pessoas que possuam algum tipo de poder paranormal, que é o caso de Jessa, sua irmã. Para impedir que a memória do seu futuro se realize, Callie se entrega para as autoridades e é enviada para um lugar conhecido como "limbo", que é para onde são enviadas pessoas que receberam memórias do futuro como as de Callie. No limbo ela conhece outras garotas que estão passando pela mesma situação, e começa a perceber que o governo não é tão justo como parece ser, e que talvez ter se entregado não tenha sido a melhor opção.

“Às vezes parece que passei a minha vida inteira esperando fazer 17 anos. Meço meus dias não pelas experiências, mas pelo tempo que resta até receber minha memória, a memória, aquela que deve dar significado à minha vida”.
Callie é uma garota que luta para exercer o livre arbítrio diante de um destino que já está escrito. Ela sempre sonhou em ser uma chef de cozinha, e por conta disso optou por cozinhar ou invés de comer produtos manufaturados. Optou por manter em segredo a habilidade psíquica de sua irmã. É por conta do amor que nutre pela irmã e por ser fiel aquilo que acredita que Callie acaba colocando todos que ama em perigo. Não morri de amores pela personagem, mas não também não destetei de um todo, sabe quando um personagem fica meio no limbo? Quando você não consegue se conectar ou sentir empatia? Senti algo do tipo.

Talvez seja por eu acreditar que Pintip tivesse um ótimo enredo nas mãos e não tenha conseguido explorar seu potencial. A ideia foi ótima mas a concretização ficou a desejar. E por não saber o que fazer com o enredo decidiu focar no romance da protagonista com seu amigo de infância, Logan, enquanto os dois fogem do governo. É perfeitamente compreensível que por ser um YA o leitor mais maduro tenha que relevar algumas características, ou alguns comportamentos dos personagens adolescentes, eu leio muitos YA e amo a grande maioria. Mas ter inúmeras cenas em que a protagonista divaga sobre sua atração, a beleza e a vontade de beijar o amigo, é frustrante. Muito tempo da narrativa é gasto em torno desse romance, que não empolga o leitor, não consegui sentir a química entre os personagens.

A autora deixou tantas perguntas sem respostas, poderia ter explorado inúmeras questões e deixado o romance em segundo plano, não sou contra um bom romance, longe de mim, mas como leitora me senti meio enganada por conta da premissa. O livro não é ruim, apesar das escolhas da autora em como conduzir a trama, a narrativa é muito boa e prende a atenção do leitor, que o torna sua leitura muito rápida. Terminamos o livro com um angustiante cliffhanger. O que deixa o leitor curioso para saber que rumo a história tomará.

Esqueça o Amanhã não entregou tudo que prometeu, mas não é um livro ruim, ele é bem escrito, cumpre bem o papel de entretenimento e para aqueles que não se incomodam com romance adolescente em demasia, pode ser uma ótima leitura.

“A esperança, por mais irracional que seja, é uma coisa poderosa. Quando as probabilidades estão contra nós, quando a batalha parece insuperável, pode ser que só a esperança nos faça continuar”.



14 comentários:

  1. Também sou louca por distopia mas esse não me deixou com vontade de ler.

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  2. Oi Patty, sempre que vejo uma resenha dessa história me deparo com a mesma frustração, o romance atrapalha o desenvolvimento da história e o que era pra ser uma distopia foca só no casal, o que é uma pena, eu gosto de romance mas se pego um livro com uma sinopse dessa pra ler eu espero mais. Achei graça da personagem ir pro limbo e você colocá-la nesse estado também ao não conseguir criar empatia por ela, se importar com os protagonistas pra mim é fundamental. Ainda assim, esse é só o primeiro livro e há sempre esperança de que a história melhore nos próximos, vou continuar acompanhando as resenhas pra saber ;)

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  3. Quando vi a capa desse livro pela primeira vez, imaginei que fosse fantasia. Ser distopia me surpreendeu um pouco, as vezes cometo o pecado de julgar pela capa.
    Esqueça o Amanhã tem uma proposta interessante, com uma boa escrita tinha tudo para prender o leitor, porém, é uma pena que a autora optou por focar no romance. Eu amo romances, mas quando leio um livro cujo o gênero não é o romance apropriadamente dito, eu me decepciono um pouco, pois uma boa trama acaba virando uma camada secundária da história.
    Callie parece uma personagem que poderia ter um bom desenvolvimento, mas é preocupante se os personagens não conseguem conquistar a empatia do leitor. Em uma obra onde a vida deles estão em risco, indiferença acaba tirando o encanto.
    Bem, ainda há mais livros por vir e espero que sejam melhores que o primeiro.
    Abraços

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  4. Esse livro me deixou curiosa mas não tanto assim. Deu vontade de ler porque gostei da premissa, mas ainda queria ter mais outros livros pra ver se iria valer a pena, se chama mais atenção sabe? Já fiquei meio pé atrás com esse foco todo em romance. Tem livro que funciona, mas tem história que pode ter tanto mais e ficar só nisso acaba perdendo muita da graça mesmo. Bem, pelo menos ele parece deixar a gente com vontade de saber onde a história vai levar e quem sabe os próximos melhorem isso e explorem mais as coisas...

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  5. Ah, essa capa linda fez meu coração bater forte. E essa premissa do livro? Que recebemos uma premissa do futuro, que coisa magnifica! E ela faz de tudo pra proteger a Jesse, aguentar viver com a imagem do futuro e tudo mais - meu coração não aguenta isso.
    Adorei tudo que descreveu do livro na resenha e pude perceber sua empolgação, amei. Quero ler logo esse livro! Beijos.

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  6. Oi Patty,
    Adoro distopias pelo forte teor político e da sociedade que são abordados na trama, mas quando isso não acontece em um livro do gênero fico frustrada e decepcionada. Esqueça o amanhã apresenta uma premissa que desperta um grande interesse na história. Toda a ideia de receber memórias do futuro é bem diferente e fiquei pensando se isso não seria uma forma de Eden City controlar a população, pois eles induzem o indivíduo através da memória. Em relação ao romance eu adoro, mas não quando ele tira o foco de questões mais importantes na trama.

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  7. Olá, quando eu vejo na sinopse "ao completar 16 anos", já desisto de ler o livro pois sei que será mais uma distopia clichê, sempre derivada dos icônicos Jogos Vorazes e Divergente. No entanto, nessa obra a autora entrega algo diferente e promissor, e como eu gosto bastante de romance, fiquei com vontade de ler. Beijos.

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  8. Oi Patty.
    Eu sou uma grande fã de romances. Por isso não vou ser hipócrita e dizer que não gosto, para mim quanto mais romance, melhor, pode ser meio estereotipado o que vou falar a seguir, porém não acho que romances caia bem com livro de distopia, não que fique ruim nem nada do tipo. Afinal tem vários livros do gênero que tem se romance e eu gosto muito, porém eu acho que as vezes os autores se perdem no romance e deixa parte importante, que é todo o desenrolar da trama dos personagens e tudo mais, por isso apesar de ter adorado quando houve o lançamento esse não é um livro para mim.
    Bjs.

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  9. Então... eu me incomodo bastante com essa questão do romance nos livros. Especialmente quando o romance não deveria ser o foco. Parece muito forçado. Eu não li esse livro e não pretendo ler. Gosto muito de distopias, mas justamente porque elas são questionadoras, porque a construção de mundo, governo, poder político etc é o ponto forte. E não o romance.
    Beijos.

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  10. Oi, Patty!!
    Também adoro uma boa distopia, mas essa não é a primeira resenha que leio que fala que infelizmente o autor deixou a desejar na estória, pena pois a premissa promete tanto mas não cumpre nem a metade.
    Bjoss

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  11. Eu também gosto de ler livros de distopia! Uma pena na história deste livro o romance entre os personagens ter ofuscado o desenvolvimento da trama, acho que teria alguns pontos deste livro que me incomodariam, então eu leria este livro sem muita expectativa.

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  12. Oi Patty.
    Também AMO distopias. Mas, apesar de Esqueça o amanhã ter uma premissa interessante, não fiquei com vontade de ler o livro.
    Confesso que ando um pouco sem paciência para dramas adolescentes. Ainda gosto de bons YA, mas todo esse mimimi pelo qual a Callie passa, me deixaria bem irritada.
    Pena que a autora focou no romance. Poderia ter sido um livro bem interessante.
    Achei a capa lindíssima!
    Bjs

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  13. Patty!
    Andei lendo mesmo uma resenhas que 'queimaram' o livro, porque foram mais interessados na parte da ficção, e disseram que nesse aspecto o livro é bem fraco.
    Mas como adoro romance, não posso deixar de conferir o livro, ainda mais com essa capa linda, dá a impressão da asa de uma njo, né?
    Quero ler.
    Desejo um ótimo final de semana!
    “É melhor saber coisas inúteis do que não saber nada.” (Sêneca)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE OUTUBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  14. Uma ideia muito boa e interessante mas pelo jeito destinada a outro tipo de leitor. Vou esperar lançarem os outros livros caso forem lançar para ler porque ficar esperando continuação ninguem merece... Curti a resenha, abraços!

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