Resenha #466 - O problema do para sempre - Jennifer L.Armentrout - Galera Record

Título: O problema do para sempre
Autor (a): Jennifer L.Armentrout
Editora: Galera Record
Ano: 2017 / Páginas: 392

- Recebido em parceria com a editora.

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Sinopse: Mallory viveu muito tempo em silêncio. Mas o destino lhe reserva um novo desafio. E ela percebe que está na hora de encontrar a própria voz Já na infância, Mallory Dodge percebeu que só poderia sobreviver se ficasse calada. Teve que aprender a ficar o mais quieta possível. Aprendeu a passar despercebida. A se esconder. Mas agora, após ter sido adotada por pais amorosos e dedicados, ela precisa enfrentar um novo desafio: sobreviver ao último ano do Ensino Médio numa escola de verdade. O que Mallory não imaginava é que logo no primeiro dia de aula daria de cara com um velho amigo que não via desde criança, quando viviam juntos no abrigo. E começa a notar que não é a única que guarda cicatrizes do passado, além de uma paixão adormecida e inevitável.

Meu peito se apertou, e eu olhei para o asfalto molhado de óleo. Aqui, mas meio ausente. Existindo, mas não vivendo. Eu conhecia o sentimento. Eu o experimentara durante muitos anos.
O problema do para sempre é lançamento de 2017 da Galera Record, foi umas das minhas leituras mais queridas do ano passado, e faltava somente eu vir aqui e compartilhar as minhas impressões com vocês. Minha primeira experiência com a escrita da autora Jennifer L.Armentrout foi com Obsidiana, que é um YA Sobrenatural, que eu gostei muito e me deixou curiosa para ler outras coisas da autora. Iniciei a leitura de O problema do para sempre cheia de expectativas e posso garantir que elas foram todas superadas.

Mallory teve uma infância terrível e traumatizante. Ela viveu muitos anos em um lar adotivo violento e abusivo em companhia de Rider, um garoto um pouco mais velho, que tenta de todas as maneiras protegê-la. O ambiente disfuncional acaba contribuindo para que Mallory se condicione a ficar em silêncio, e a aparecer pouco, fugir mesmo do convívio com outras pessoas. Não é que Mallory seja muda, ela simplesmente internou que ficar em silêncio a livraria, mesmo que parcialmente, das surras e dos maus-tratos. Infelizmente ficar em silêncio muitas vezes não era o suficiente para livrar Mallory de coisas ruins, e era nessas horas que Rider assumia o papel de chamar a atenção para si, e como era de se esperar, toda a violência era dirigida a ele.

Após uma noite sinistra, da qual só tomamos conhecimento dos detalhes depois, Mallory e Rider são separados, e ela é adotada por um casal de médicos. Após anos estudando em casa e fazendo terapia, Mallory decide que já é hora de enfrentar o mundo real e começar a estudar em uma escola regular. Acontece que no primeiro dia de aula Mallory descobre que Rider está em sua turma. A partir daí ela terá que lutar com sua dificuldade de falar em público, com seus pais que acreditam que Rider trará lembranças ruins e pelo sentimento que ela nutre pelo antigo amigo.
“As palavras não eram o problema. Elas voavam pela minha cabeça como um bando de aves migrando para o sul no inverno. Palavras nunca foram o problema. Eu as tinha, sempre tive, mas arrancá-las de mim e lhes dar voz sempre fora complicado.”
O problema do para sempre me chamou a atenção logo pela capa, e após eu ler a sinopse senti que aqui poderia estar uma história de superação. Entrei de cabeça na leitura e não me decepcionei, Jennifer conseguiu entregar uma história forte e emocionante, que faz o leitor refletir sobre vários aspectos da vida, como o preconceito e as segundas chances. Acompanhamos a evolução da personagem e todo o drama que acompanha sua vida.

O livro é narrado em primeira pessoa pela visão de Mallory, o que dá ao leitor uma perspectiva única sobre os sentimentos da protagonista e seus conflitos. O livro nos faz refletir sobre como cada pessoa lida com os traumas e nos faz entender que cada pessoa tem o seu próprio tempo para superá-los. Mallory é uma dessas protagonistas que evoluem com história, na infância ela foi submetida a situações que deixaram marcas, psicológicas e físicas, o que contribuiu para ela perder sua voz, e aqui temos que fazer uma pausa, algo que o leitor percebe nas entrelinhas é que Mallory perdeu a capacidade de se impor, de fazer com que sua opinião seja levada em conta, tudo isso para evitar o conflito. Isso fica visível quando Rider, seu amigo na infância e paixão na adolescência, é discriminado por seus pais adotivos.

Rider é o tipo de personagem que você tem a vontade de colocar no colo e cuidar, ele é o tipo protetor, mas foi muito machucado durante sua vida, não teve a mesma sorte de ser adotado por pais legais como Mallory, isso fez com que ele se tornasse mais realista, mais duro, mais pessimista. Ele acabou se tornando um garoto perdido, triste e sem perspectivas, mas com um coração enorme.

O livro passa uma mensagem positiva sobre um assunto muito triste, não romantiza os traumas descritos, porém os trabalha com certo grau de sinceridade que em alguns casos pode chocar os leitores. Eu simplesmente amei a leitura, e me tornei fã da autora que com uma narrativa sincera, simples e delicada conseguiu dar voz aqueles que a tinham perdido, de forma brilhante e única. Um livro sobre falhas e acertos, sobre segunda chances e acima de tudo sobre superação. 

Nós todos acreditamos ter a garantia de que as coisas que amamos vão durar para sempre. Mas o problema do para sempre é que ele realmente não existe.


5 comentários:

  1. Antes de comentar a resenha é preciso falar desta capa! Que coisa mais linda hein??
    Puxa, não conhecia o livro,mas com certeza, já quero muito conhecer.Viver anonimamente, sem praticamente existir, talvez para evitar a dor ou confrontos, ainda mais depois de perdas.
    Ter que enfrentar o mundo, crescendo interiormente com isso.
    A vida sempre nos dá uma nova chance. Cabe a nós, decidir de qual maneira encarar tudo isso.
    Vai para a lista de desejados com certeza.
    Beijo

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  2. Oi, Patty.

    A história da Mallory me prendeu do início ao fim, por mostrar esse modo dela, que escolher se fechar para o mundo (de certa forma) e como ela evolui e supera tudo com a ajuda do Rider. Com certeza ela buscou forças nele, pois ele passou pra ela confiança, apoio. E também foi bom ver como o romance deles foi desenvolver, sem focar tanto nisso.

    Enfim, amei o livro e li em um dia! 💙

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  3. Também curti essa leitura Patty, já li alguns livros dessa autora e ela não me decepciona. Achei que a história foi tratada de forma bem sensível e por mais que tenhamos vontade de vê-la de impor mais o condicionamento que você citou e que ela foi exposta durante um bom tempo nos faz entender o motivo dela ser assim e a jornada dela pra se superar é bonita e ganha mais beleza ainda quando ela ajuda Rider também, que parece nem perceber que também ficou traumatizado, foi bacana ver ela fazendo ele acreditar em si mesmo. Linda resenha Patty e achei essa história muito boa <3

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  4. Muito boa a sua resenha. Parabéns pela belíssima escrita. Aproveito para informar que o P.S.: Livros foi indicado ao prêmio The Mistery Blogger Award. Confira tudo no link: http://www.entrelinhaseafins.com.br/2018/01/the-mistery-blogger-award.html

    Abraço, Vitor.

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  5. Olá Patty!
    Ainda não conheço a escrita da Jennifer L.Armentrout, mas adorei a resenha e quero ler o livro assim que possível, achei a capa maravilhosa e gosto muito de livros que nos leva a refletir os aspectos da vida, os traumas e como supera-los. Adorei a dica e Parabéns pela resenha!!

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